Quais são os efeitos da crise econômica sobre o ecossistema de start-ups de tecnologia no Brasil? Como esse segmento, que vinha crescendo de vento em popa nos últimos anos, está sendo impactado pela inflação, pelo desemprego e pela recessão econômica? MOBILE TIME publica hoje duas matérias sobre o tema a partir de entrevistas com oito especialistas com diferentes papéis na cadeia de valor: uma aceleradora, três fundos de investimento, um programa governamental de fomento, uma plataforma de crowdfunding, uma associação que representa o setor e uma empresa de conteúdo móvel consolidada que agora investe em start-ups. A conclusão é que, em vários aspectos, a crise está sendo positiva para esse mercado.

O primeiro ponto a se destacar é que aparentemente nasceram mais start-ups este ano do que no ano passado no País. Não há dados oficiais que comprovem isso, mas há indícios compartilhados por várias fontes. A ABStartups, associação que representa as start-ups em atividade no Brasil, por exemplo, tem hoje 4.080 associados, número que representa um crescimento de 18% em seis meses e cerca de 40% em um ano.

O programa Startup Rio, criado e mantido pela secretaria estadual de ciência, tecnologia e inovação do Rio de Janeiro, deve dobrar este ano a quantidade de projetos inscritos para a sua segunda turma, em comparação com a primeira, do ano passado. Foram 150 inscritos em 2014 e agora, até a última sexta-feira, eram 262.

Na aceleradora WOW houve um aumento entre 20% e 30% na quantidade de projetos submetidos este ano. “E olha que a gente elevou o crivo exatamente para diminuir a quantidade a ser analisada e aumentar a qualidade dos projetos”, relata Cássio Machado, um dos fundadores da WOW.

A plataforma brasileira de crowdfunding Kickante tem registrado entre 3 e 4 mil campanhas novas por mês, o que representa um crescimento da ordem de dez vezes em um ano. Muitos dos projetos que buscam financiamento coletivo na plataforma são de produtos desenvolvidos por start-ups de tecnologia, desde smartwatches até lâmpadas inteligentes. “O PIB do Brasil está caindo e a Kickante segue na linha oposta. Para a gente o momento está sendo positivo. O número de campanhas e a arrecadação não param de crescer”, afirma a CEO da empresa, Tahiana D’egmont.

Os fundos de investimento Qualcomm Ventures e Redpoint eventures, por sua vez, não notaram nenhum efeito de queda ou de aumento significativos na quantidade de novas start-ups analisadas.

Claro que cada um desses exemplos pode ter razões particulares para o crescimento na quantidade de start-ups. ABStartups, WOW, Startup Rio e Kickante estão mais conhecidos e mais bem divulgados hoje do que eram ano passado, o que, por si só, contribui para os aumentos relatados. Também pode-se argumentar que, por ser um ecossistema novo, o mercado de start-ups aumentaria de qualquer maneira, e que talvez a crise tenha até desacelerado esse avanço. Mas, se for verdade que aumentou o número de start-ups no Brasil em plena crise, qual seria a explicação? Um dos motivos pode ser o desemprego: há mais gente qualificada na rua. Outra razão é o próprio amadurecimento desse ecossistema, que vem evoluindo ano após ano, independentemente da macroeconomia.

Além disso, quando se fala em start-up de tecnologia, é preciso lembrar que o acesso à Internet não para de crescer no País, o que significa um aumento da base de usuários de serviços digitais. “Há um descolamento entre a macroeconomia e a Internet. Há 100 milhões de brasileiros on-line e outros 100 milhões para entrar. A Internet vem crescendo 20% ao ano”, comenta Ann Williams, venture partner do fundo Redpoint eventures.

E o acesso móvel, especificamente, deixou de ser algo complementar e se tornou essencial, passando a estar presente em praticamente todas as start-ups, independentemente do seu segmento de atuação. “O mobile era uma vertical e agora se tornou horizontal. Está em tudo: saúde, segurança, O2O, logística etc”, comenta Carlos Kokron, vice-presidente da Qualcomm Ventures no Brasil.

Outra mudança constatada é a melhoria na qualidade das novas start-ups, o que seria fruto do amadurecimento desse ecossistema. As fontes são unânimes em relatar essa transformação. “Uns cinco anos atrás, o dinheiro estava mais fácil e isso atraía pessoas que talvez não fossem empreendedores natos. Era gente querendo se dar bem no curto prazo. De lá para cá o ambiente é diferente. Agora quem entra é o sujeito que acredita, que sabe que o sucesso não vem da noite para o dia. A qualidade dos projetos tem melhorado bastante. As pessoas estão mais bem preparadas”, relata Krokon.

“A crise limpa um pouco a ‘bolha’ de apps. É o que aconteceu com os apps de taxi. Hoje conhecemos sete deles, mas apareceram 35. A crise serve para tirar os aventureiros que só querem o dinheiro do consumidor com projetos rápidos”, acrescenta Paulo Curio, CEO de conteúdo móvel da Movile.

Crise como oportunidade

Para aquelas start-ups já estabelecidas, a crise é vista como oportunidade. Afinal de contas, muitas delas vendem soluções ou serviços que geram mais eficiência e economia no dia a dia de empresas e pessoas físicas. “Para start-ups que já captaram recursos, a crise é maravilhosa. Quando a crise acabar, a start-up estará ainda mais fortalecida”, avalia o presidente da ABStartups, Amure Pinho.

Machado, da WOW, concorda: “Quando a start-up traz uma inovação que faz sentido para o mercado, mesmo que este esteja em retração, ela será adotada. Aliás, ao contrário, a crise pode acelerar que tais ideias aconteçam, porque na recessão as pessoas buscam eficiência.”

Isso está sendo verificado em várias das empresas que compõem o portfólio da Redpoint eVentures, da Qualcomm Ventures e do Invest Tech. Há casos de crescimento de 40% ao mês entre aquelas mais jovens e de 20% ao mês entre algumas maiores.

Cresce o número de start-ups no Brasil

Fonte: Mobile Time


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